Parece que estou a ouvir o homem da estação a pontuar na linha férrea com o martelo a meio da manhã. Às tantas, dormia junto à varanda à espera que os outros aparecessem cedo para ir à falperra de bicicleta. Oh senhor Frederico, está na hora de acordar! «Andaste com uma gravata prateada no Sardinha Biba» Era descer por Santa Marta, e ver outros tempos a minha avó naquele mesmo parque a fazer um piquenique, e pensar que a abelha me ferrou na Santa Marta para completo rejubilo dela: «Põe uma moeda! Põe uma moeda!» Entretanto lembrei-me da escola. Pelo vistos era contígua à casa do Lavrador. Pelos vistos, as vacas iam pastar no recreio ao fim de semana, pelo que era ver bosta de vaca pelo chão.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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