Uma altura no restaurante O Alentejano em Abrantes estava a minha irmã a filmar a fachada, está o meu pai na minha peugada após eu dizer algo que o fez despertar a atenção, como tal foi no meu encalço. Lembro-me que estou com um lenço na cabeça à medida que ele se debate comigo a carpir num banco de jardim: «Estás feito quê?» Vê-se a minha mãe incrédula entre chavetas: «Não se faz» Mas também há uma fotografia muito gira estando eu a dormir no sofá com as mãos juntas à face a todo o comprido do papel. Lembro-me que foi no mesmo dia em que estou a fumar um cigarrinho para a câmara, estou eu com o casaco de cabedal do meu pai junto ao televisor e o VCR.
Agora que influenciou os amigos a meu respeito - que eles não se sentem perturbados pelo que diz, e me achar a questionar o comportamento deles -, a Autodidacta faz-se imperturbável. Retrato realista de uma psicopata. Sem abrigo ao ponto de lhe oferecerem cabazes, diz-se liberal. A Autodidacta, para desafogo da própria, diz querer votar em Marine Le Pen. A Autodidacta é Luso-francesa, creio. O ex-marido, que se divorciou em circunstâncias muito além do recomendado, sofre de doença mental do género obsessivo. A filha de ambos desapareceu durante praticamente dois anos para estar com um indivíduo de situação muito duvidosa. Ambos, mãe e pai, procuraram por intermédio das autoridades desvendar o paradeiro da filha, que no entanto nunca deixou de contactar. A Autodidacta voltou para Portugal. Estabeleceu-se num apartamento a par com uma amiga com quem, suponho eu, reparte as despesas. A filha entretanto voltou para casa do pai, com quem Autodidacta mantém a distância e o mais completo...