Avançar para o conteúdo principal

Não haja dúvida

Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta. Aquilo era deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. Estão a imaginar o estapafúrdio: a conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos. Foi divertido; no entanto, não sei o paradeiro desse vídeo, pelo que estou assim a modos que.


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mansidão

Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...

ENO

Nineteen Century Man

Olha que eu perdi tudo que é mensagem do Cromeleque dos Danados, inclusive Maus Hálitos. Maus Hálitos estava tão bem. Foi numa noite em que fui aos Maus Hábitos e encontrei o Salgado à entrada do tugúrio: «Eu acho que aí é uma casa de banho» Entretanto, lembrei-me d'O Mapa. Era uma história caricata sobre um homem que foi na peugada do filho que escreveu uma carta em cujo subscrito constava um mapa. O homem até sonhou que viu o filho numa espécie de construção em argila em Jerusalém, inclusive que abordou Jesus no caminho do Calvário: «O teu filho tem imensa graça... Diz que não sou Deus; mas filho dele. Foi qualquer coisa que ouviu na escola» (...), pelo que o pai subiu um lanço de escadas para um apartamento, estava o filho degolado após se suicidar.