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Mansidão

Braga, 5 de Maio de 2021

Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada.


Quero estar no meu quarto,

(Porque eu adoro o meu quarto)

E ter esta percepção genuína:

Eu embrenhado na noite... Que trato!


Apenas eu e a escuridão

No meu quarto de ameias encerrado

Sem janela nem modas apetrechado

Movendo entre a mansidão.


É um consolo que me assiste

O estar aqui dentro sem haver lá fora

Ser eu próprio, aqui e agora

Onde a música religiosa atriste.


Prelúdio para uma noite cerrada,

Clarinete dentre o quarto hermético

E musicalidade ao meu ouvido estético,

A nada errante a sons prelada.


Que seja esta religiosidade musical,

Esta religiosidade latente aos meus ouvidos

A primavera atonal dos meus sentidos

E nem sempre estes versos avulsos capital.


Recordar esta noite que me sustém...

Carregada de breu, em tudo abaulada.

Fora dos meus nervos, então desarranjada...

Aconteceu-me a noite em Belém.


E os guizos são outros, revelados.

E faz crer que o quarto está a léguas

Ainda que alta lassitude, tréguas...

Onde a lucidez e amor velados.



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