Ainda estou à toa por causa de um pesadelo. Sonhei que a infraestrutura que imperava colapsou. As pessoas estavam de pré-aviso. E todavia, o tempo veio e as bases do edifício implodiram com um estampido no silêncio após uma banda dar um sinal de cornetas. Estava eu nas imediações como num recreio. «E ninguém avisou?» Começou tudo a correr para os abrigos, inslusive eu. Nem tive tempo de me despedir. Fiquei ali mesmo debaixo de escombros em água que subiu por mim. É o meu fim, pensei à medida que a água subiu e os destroços caíram. Estava eu em casa à mesma hora de sempre. 3h da madrugada.
Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...
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