Sonhei que estava à janela da cozinha do antigo apartamento, onde vivi a minha infância e juventude. Isto era noite. Nisto, vejo uns afiliados de um partido político cá em baixo a cirandar com bandeiras apoiadas ao ombro, inclusive uma mulher baixinha com um rosto pouco animoso, importunada pelas minhas palavras. Pelos vistos não me dirigiram a palavra. «São de esquerda, certo? É preciso coragem, não vá o diabo tecê-las» Pelo que confluíram vagarosos para a entrada do prédio. Ouvi o meu pai recebê-los. Seguidamente recebi uma mensagem no twitter: «Peça, que nós oferecemos, senhor Quintela» Quem é o senhor Quintela? - pensei. Como se não bastasse, entre eles constava o handle da mulher baixinha. O meu pai sorriu de algum modo: Simpáticos.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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