Uma altura fui a casa de uns primos da minha mãe ou qualquer coisa em Vila Verde. Eu achava tão estranho. Tratava-se de uma casa comprida entre vegetação agreste onde o carro penetrava. Acolheram-nos bem. O miúdo tinha um helicóptero preso por uma corda na cozinha que eu e o meu pai adaptamos em casa. Certa vez, levei uma espécie de consola portátil muito rudimentar da parte do miúdo. Pelos vistos, aquilo avariou em casa quando procurei fazer uma manigância no interior. Acontece porém que acabei por remendar. No entanto, aquele período da minha infância causou-me estranheza. O helicóptero lá ficou no alto do meu quarto. Perguntei então à minha mãe, não fosse adivinhar, quem era aquele casal e o miúdo em Vila Verde. É minha prima por parte da tia Madalena. Sorri. Eu adorava a tia Madalena, irmã da minha avó.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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