Esta tela tem uma história muito engraçada associada. Acontece que estávamos no Cunha a recriar tempo após o almoço quando a minha mãe fotografou a minha sobrinha. Achei imensa graça, pelo que fiz uma réplica em acrílico. O Cunha, como já devem saber, é uma casa de pasto junto à minha casa quem atravessa a estrada. Até recentemente, eu e os meus pais passávamos lá para emborcar uma refeição campestre. Às tantas, a minha mãe recorda o Hélder Silva no Telejornal, já a sua mão acompanha o olhar: «Está a passar o Hélder»
Estávamos portanto no Cunha a confraternizar.
Pelos vistos pintei o homem a comer sopa directamente atrás da minha sobrinha, estava ele muito embalado a debitar entre os homens à mesa. À medida que o reproduzi em acrílico, o desenho resvalou para algo mais curioso. Tratava-se de um jovem, pelo que recriei outra personagem (à direita), que parece ostentar um pé sobre a mesa. Todavia, a tela está algures escondida na propriedade do meu cunhado, pelo que nunca mais a vi. Vou procurar reavê-la. Pelo menos para terminar o trabalho, e atenuar a mancha vermelha. Mais tarde, a minha irmã perguntou quem era a figura enigmática no quadro: «Que sinistro. Quem é o homem atrás da Freda?»
- É apenas um rosto a lembrar movimento dentro de um cabaret. Daí o título. - Pelos vistos, não parecia convencida. «É o rosto do homem na fotografia, caneco, só que eu dei largas à imaginação»

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