Bolas, sonhei com anjos. Umas raparigas muito bonitas. Sonhei que estavam a mover um veículo. Eu estava de algum modo contente, apesar da situação a tocar o estranho. Disseram-me para não as aborrecer até porque era algo importante para elas. O veículo estava danificado. Eram anjos muito delicados. Fui advertido para não as tocar. Porém, não estavam de todo preocupadas. Eu ainda toquei em uma dessas raparigas, afinal, anjos. Eu estava embevecido.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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