Esta é uma história verídica que teve evento no meu antigo apartamento. Nessa fase da minha vida eu andava à procura de vencer uma insónia que me assolou a vida durante praticamente um ano. Digamos que foi numa fase mais difícil. Simplesmente não era capaz de dormir àquela hora precisa da noite. Porque eu gosto de dormir - e quando quero dormir, é impreterível para mim que seja antes da meia-noite. É certo que muitas das vezes só achava cama por volta das 6 horas da manhã. Foi numa dessas noites que decidi fumar um cigarro. Lembro-me que lutava dentro de mim por achar sono. Neste somenos, denoto, não sem uma crispada surpresa, três baratas em amena cavaqueira. Não, não é possível. Ali estavam elas num círculo entre si, numa conversa muito consentânea. Pareciam três estrategas. Às tantas reparei que elas estiravam as pequenas patas numa interjeição. Apenas sei que acabei com aquela assombro com o chinelo, que deitei ao lixo. Sim, sei que parece horroroso e emporcalhado, mas pus um fim àquilo. Esta é a história d'As Estrategas. Foi numa dessas noites que vi Post Tenebras Lux.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
Comentários