Avançar para o conteúdo principal

Pessoa

O meu tio contou sobre o homem que dizia que o gajo lá em cima estava a arrastar as cadeiras aquando da trovoada. Acontece porém que se queixou a Deus após decepar os dedos numa lâmina. 

Tinha o meu tio quinze anos. 

Era o Pessoa. Pessoa de apelido, e não de alcunha.
- E tu como sabes que estava tão nervoso? 
«Você é que estava a pedir misericórdia a Nossa Senhora e a Deus Nosso Senhor»
- Homessa. Olha que as crianças...



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Estou a assim a modos que

Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....

Happy

Pelos vistos estavam à mesa quando decidiram apagar a luz, entre eles um médico grego - médico grego, esse, que rumou ao médio oriente. Parece que se ouviu um grito de dor após um garfo recolher o bife da rabada. Foda-se, que dores do caralho!...  - Oh Paul McCartney. Se estava com fome, pedia. Só que o médico grego tornou vinho em água, para sua completa satisfação. «Então nós pedimos-te para trazer o vinho, e fazes isso?»

Virgulino

O senhor Virgulino estava atravessado no divã. Atirou para o cesto das revistas o suplemento de jornal e pôs-se a contemplar uma caveira na mesa redonda. «Que estranhas criaturas somos quando vistas assim» – pensou. Então, munido de lápis e papel, principiou a esboçar o crânio a partir do modelo diante dele. Subitamente, ficou perplexo – alguma coisa o fez paralisar diante da caveira, pelo que se manteve sério e tomado de uma superstição sem par. «É possível que a caveira se manifeste?» Já se tinham passado largos minutos no fascínio da caveira mas nada de qualquer revelação. Os olhos do senhor Virgulino intumesceram. Do assombroso, tornou-se azul férreo. Dava impressão que o senhor Virgulino estava possuído por um espírito infantil - ainda que salutar -: desejoso de tornar visível a manifestação de um objecto inanimado, como quando, diante da Nossa Senhora do Sameiro, em visitas com a família ao monte da Falperra, assim lhe dirigia: «E tu, Senhora do Sameiro, dar-me-ias a atenção nece...