O senhor Virgulino estava atravessado no divã. Atirou para o cesto das revistas o suplemento de jornal e pôs-se a contemplar uma caveira na mesa redonda. «Que estranhas criaturas somos quando vistas assim» – pensou. Então, munido de lápis e papel, principiou a esboçar o crânio a partir do modelo diante dele. Subitamente, ficou perplexo – alguma coisa o fez paralisar diante da caveira, pelo que se manteve sério e tomado de uma superstição sem par. «É possível que a caveira se manifeste?» Já se tinham passado largos minutos no fascínio da caveira mas nada de qualquer revelação. Os olhos do senhor Virgulino intumesceram. Do assombroso, tornou-se azul férreo. Dava impressão que o senhor Virgulino estava possuído por um espírito infantil - ainda que salutar -: desejoso de tornar visível a manifestação de um objecto inanimado, como quando, diante da Nossa Senhora do Sameiro, em visitas com a família ao monte da Falperra, assim lhe dirigia: «E tu, Senhora do Sameiro, dar-me-ias a atenção nece...
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