domingo, 8 de março de 2026

O Homem Mudo

O senhor Marcelo dos Campos estava a passear na rua do Souto. Tinha um assunto premente para resolver, pois que entrou na casa Machado e assim se dirigiu ao proprietário: «Boa tarde. Desejaria adquirir uma bengala de castão em forma de cão de água.» 
- Claro, excelentíssimo senhor. Aqui tem - estendendo o exemplar no balcão de serventia. - Não é definitivamente do seu agrado?
- Definitivamente.
Após haver procedido ao pagamento, no qual havia desembolsado nota frescas acabadas de sair da máquina, o senhor Marcelo abandonou a loja. Porém, algo de muito inusitado aconteceu. O senhor Marcelo amparou a bengala num traço de porcaria. Isto só por si não é nada de muito invulgar - se, ao menos, a bengala despegasse da porcaria. «Que significa esta circunstância? Que pau de dois bicos?» Ali estava um senhor Marcelo dos Campos austero a tentar desenvencilhar a sua bengala de castão em forma de cão de água para nada. Pelos vistos um pobrezinho tentou introduzir a espátula, mas foi logo enxutado por um cada vez mais possesso senhor Marcelo. Todavia, o proprietário da casa Machado, ao ver os desenhos do autoproclamado Homem Mudo nas paredes diante da sua loja, acorreu ao senhor Marcelo. Não sabemos por que artes mágicas aquele fenómeno estava associado ao Homem Mudo. O certo é que o senhor Marcelo comprou uma lata de tinta e rolo de parede para nesse instante apagar as mensagens do Homem Mudo, figura proeminente das artes de rua da vetusta cidade de Braga. E como se não constassem mensagem subliminares na parede, o senhor Marcelo dos Campos desata num trote desenfreado para alcançar o estafermo. «Julga provavelmente que vou cair nas graças dele» Ali apenas ficou a bengala grudada no chão.

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Happy

Pelos vistos estavam à mesa quando decidiram apagar a luz, entre eles um médico grego - médico grego, esse, que rumou ao médio oriente. Pare...