PARTE II/III
Certa vez decidiram descer à cidade pela calada. Aproveitaram o convite de uma morena com uns lábios protuberantes e engalfinharam-se através de uma porta para um apartamento onde se brindava copos de vinho capitoso. Tratava-se de uma festa particular. O ruído era intenso; não faltava uma sala para encetar uma dança. Em geral as pessoas estavam animadas. Agitava-se ali um frenesi de gente nova - estudantes, muito provavelmente, a julgar pela mesura com que olhavam os amigos. Na cozinha pululava a algaraviada e havia quem fosse surripiar cerveja ao frigorífico. António e Pedro procuraram divertir-se; queriam surripiar as garrafas de vinho. Emborcavam o vinho soltando golfadas de hilaridade, ora tomando os restos do vinho na manga emporcalhada da camisa. Às tantas Pedro largou-se numa flâmula; o deboche: as catraias não tinham onde cair de incredulidade. Porém, algo o acometeu: «Não devia ter-me largado» E assim, deprimido até aos olhos, dirigiu-se ao amigo: «Não devia ter-me largado no meio destas pessoas.» António apoiava o amigo. «Ouve - exclamou -, vamos ao andar de cima. Dizem que ergueram um altar a uma vagina».
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