sábado, 28 de fevereiro de 2026

O Pénis Húngaro

O senhor Vasconcelos vinha junto ao mar, oferecendo o rosto ao sol vespertino quando algo o chamou à atenção. «Olha!… – exclamou – É um pénis húngaro! Esta é boa; um pénis húngaro que dá à costa...» De facto, o pénis, por sinal húngaro, rebolava nas ondas. «Hahah, é mesmo! É um pénis húngaro – não contendo a hilaridade. - Vou mostrar à mulherzinha»
- Conceição, olha o que eu encontrei na praia.
- O que é isso? – disse a mulher colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha – É rosadinho; o que é? 
- É um pénis húngaro, mulher.
- Não brinques com coisas sérias; não quero isso dentro da minha casa. 
- Olha… – exclamou, não percebendo as intenções da mulher. – É apenas um pénis húngaro. Onde raio queres que eu vá pôr? 
- Bem, não queiras brincar com coisas sérias. Despacha-te; leva-o daqui para fora. 
O senhor Vasconcelos não se conteve: «Nunca me ri tanto. É apenas um pénis húngaro; que pode ele prejudicar?» 
- Vai, não quero que brinques com coisas sérias. 
O senhor Vasconcelos enfiou o pénis húngaro no bolso e fechou a porta atrás de si - que a mulher engolisse um sapo vivo, ora essa: este caso tem a sua piada e não há nada que possa um senhor Vasconcelos de se divertir à custa de um pénis húngaro. «André, vê: é um pénis húngaro! – bradou ao ver o vizinho no postigo da cozinha de onde cuspia pevides de uvas bem fartas. 
- Pá, vai dar uma volta ao bilhar grande. 
- Não tens sentido de humor nenhum! Eu pergunto-me como terá um pénis húngaro dado à costa; e ainda sou contemplado pelo teu desprezo? Tem a sua piada: um gajo vai para dar um passeio e encontra um pénis húngaro a rebolar nas ondas do mar. Está bem, não é um caso importante, é só um pénis húngaro que deu à costa! 
- Homem, não me atazanes a cabeça. Leva o teu pénis húngaro para a quinta dos infernos. – e sumiu no postigo da janela. «Hahah, este gajo diverte-me. Mas vejamos, onde posso deixá-lo?» O senhor Vasconcelos tacteou com um dedo a glande rosadinha e perguntou a si mesmo se o pénis húngaro teria cócegas. «Anda, dá um ar da tua graça» Nem pensar, o pénis húngaro é do carácter impassível; nem sim nem assado. «Olha, vou colocá-lo no marco do correio; pode ser que ele volte de onde veio»
- Hey, que pensa que está a fazer? – bradou um polícia vindo no seu encalço assoprando num apito. 
- Boa tarde, senhor agente. Trata-se de um pénis húngaro. Deu à costa mas eu quero desfazer-me dele, uma vez que a mulherzinha assim mo pediu. 
- Você disse “pénis húngaro”? 
- Exactamente. Vinha pela praia quando ele rebolou sob os meus pés. 
- E acha que vai colocá-lo no marco do correio nas minhas barbas? Era o que mais faltava! Você vai é de choldra; acompanhe-me. 
- Então e o pénis húngaro, senhor agente? 
- É uma prova, caro senhor. Prova de quem anda a infringir a lei. Lá porque se trata de um verdadeiro pénis húngaro, não tem direito de o expor à vista de todo o mundo. 
- Você é parvo? Não acha extraordinário que o pénis húngaro tenha dado à costa? E porque me arrasta como a uma criança... Olhe que eu chamo a Cândida Pinto. 
- O senhor terá de me acompanhar – disse o senhor agente sem mais nada acrescentar, manietando um senhor Vasconcelos divertido. 
Nessa noite, o senhor Vasconcelos esteve cárcere numa cela resguardada por duas sentinelas. Ninguém quis dar ouvidos ao senhor Vasconcelos. «Nunca me ri tanto – e por mais que se contivesse, o homem estava como que pregado ao jocoso hilariante do momento. 
– Estes tipos são realmente muito parvos!
 Mas fosse um pénis húngaro porque sim ou porque não, a verdade é que o senhor Vasconcelos esteve preso uma noite e um dia e uma névoa se abateu sobre estes acontecimentos.

Sem comentários:

Happy

Pelos vistos estavam à mesa quando decidiram apagar a luz, entre eles um médico grego - médico grego, esse, que rumou ao médio oriente. Pare...