quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Prostituta

Os globos de luz dos candeeiros incidiam numa forte impressão muito devido a um aguaceiro inconstante e vento sinuoso. A prostituta mantinha-se junto a um pequeno toldo abrigada do vendaval. Ampla das ancas e corpo desenxabido e trôpego, a criatura lá mantinha a perna grossa e inestética traçada na parede. Neste somenos, surge um homem proeminente e soturno munido de chapéu de chuva. Na realidade, a abordagem parecia ter sido planeada; ao aproximar-se, retirou o chapéu que estirou junto ao peito: «Boa noite.» A prostituta sorriu: «Que deseja, avozinho? Um par de luvas?»
- Podes tratar-me por avozinho, eu não me importo. De todo. Apenas desejaria que me acompanhasses aos meus aposentos.
- Onde são os teus “aposentos” – escarneceu com um esgar expelindo o fumo do cigarro. – E antes de mais quero um sinal, estás a ver? Um adiantamento.
- Aliás, aqui o tens.
O homem proeminente e soturno estirou uma nota de elevado valor que muito surpreendeu a prostituta. O seu corpo enxuto ainda mais perdeu o vigor. -
 Vem comigo, verás que não te arrependerás. 
Nos aposentos do homem proeminente e soturno reinava a mais asséptica arrumação. Tudo estava ampla e tenuemente refundido por uma luz sacramental; e o perfume do incenso tudo doirava em redor.
- Que belos aposentos, avozinho.
- Estes aposentos não são meus: são do meu primo; ele está em viagem pelo leste da Europa: deixou esta casa a minha responsabilidade. 
- É este senhor? – indicou a prostituta um enorme retrato. Tratava-se de um senhor em tudo semelhante ao homem proeminente e soturno.
- Anda, p*ta – ameaçou o homem proeminente e soturno abruptamente -, mostra as tuas entranhas; quero ver as tuas entranhas!
E de tanto esgaravatar, a carne da prostituta principiou a romper em sangue. O acto fora tão abundante e violento, tão desconcertante, que a carne saltou da entranha e da gordura que gotejava nas suas mãos fervilhantes. Um sangue espesso jorrou em catadupa contra o retrato. Enterrou o focinho na víscera; uivou em ufania escarlate. Sim, ele riu; e quando riu, sentiu que o coração da vítima pulsava; e quando sentiu que o coração da vítima pulsava, o homem proeminente e soturno saltou de alegria (...)

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Happy

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