Há um lugar que eu recordo não sem desassossego. Trata-se de um caminho ao largo do prédio onde vivi. É uma espécie de caminho rumoroso com uma fonte em pedra escavacada no solo. Para chegar lá, era necessário descer umas escadas íngremes através de um muro alto que ladeava aquela parte do bairro. Ali, apenas vegetação desabrida ao longo desta pequena paisagem com a linha férrea em baixo. Na verdade, eu passava ali para ir para a escola. Lugar estranho e algo estúpido. É só. Pior só mesmo as Alminhas. Ali para os lados do Lugar das Alminhas deve ser uma corrente de ar... - eu nem quero imaginar. É um lugar ermo e misterioso onde a raia miúda vai colocar os sírios num nicho. Tudo muito bonito quando uma pessoa passa lá pela hora vespertina, mas à noite não ponho lá os meus pés. É um breu como no alto mar. Sempre pensei que no Lugar das Alminhas está consumido por almas penadas - que aquilo está assombrado. E no entanto é só um caminho empedrado com casas arruinadas à face da estrada. O Lugar das Alminhas, em declive, é uma ampla encruzilhada. É possível ouvir as máquinas na Estação atracar. É claro que isto nada tem de humorístico, mas deixo a minha esperança na senhora das Candeias.
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