O Facebook tem um aspecto estranho: se uma pessoa escreve um pensamento, avulso que seja, de um dia para o outro torna-se absolutamente oco, como que atirado para o ar, breve e transitório, outras vezes idiossincrático mesmo. Pode parecer que estou um pouco à margem da actualidade mas acontece que tenho estado mais vezes no twitter, e é por essa razão que o meu mural está mais deserto (e descartável) que o habitual. Tenho me deparado com algumas passagens no arquivo e isso torna-me permeável. Apenas desejo que sejam o mais tolerante. Obrigado, simpatia a vossa.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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