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Ode

O Facebook tem um aspecto estranho: se uma pessoa escreve um pensamento, avulso que seja, de um dia para o outro torna-se absolutamente oco, como que atirado para o ar, breve e transitório, outras vezes idiossincrático mesmo. Pode parecer que estou um pouco à margem da actualidade mas acontece que tenho estado mais vezes no twitter, e é por essa razão que o meu mural está mais deserto (e descartável) que o habitual. Tenho me deparado com algumas passagens no arquivo e isso torna-me permeável. Apenas desejo que sejam o mais tolerante. Obrigado, simpatia a vossa. 



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Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...

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