Aquando do meu primeiro blogue, com contribuição de um amigo, este sugeriu que acompanhasse o vídeo do Warhol com uma descrição meramente casuística. Posto isto, rematei com um famoso dizer - que despoletou em várias reacções na caixa de comentário -, no qual dizia que Ivan o Terrível não fora apenas assassino como um grande apreciador de Ketchup. Os comentários irromperam com galhardia. Inclusive Fraulein Else: «Hoje a guerra não é propriamente devido ao teu trecho do Ivan; vê como esses temerários querem impôr respeito, já que são indignos de ti?» Eu estava agradecido; e atirava com «beijos para o ar». A resenha tivera êxito; mas havia quem não se contivesse, recalcando sobre o que eu acabara de escrever: «Pana! «Juro - respondeu Fraulein -, estes gajos não têm o baralho todo!»
Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...
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