Aquando do meu primeiro blogue, com contribuição de um amigo, este sugeriu que acompanhasse o vídeo do Warhol com uma descrição meramente casuística. Posto isto, rematei com um famoso dizer - que despoletou em várias reacções na caixa de comentário -, no qual dizia que Ivan o Terrível não fora apenas assassino como um grande apreciador de Ketchup. Os comentários irromperam com galhardia. Inclusive Fraulein Else: «Hoje a guerra não é propriamente devido ao teu trecho do Ivan; vê como esses temerários querem impôr respeito, já que são indignos de ti?» Eu estava agradecido; e atirava com «beijos para o ar». A resenha teve êxito; mas havia quem não se contivesse, recalcando sobre o que eu acabara de escrever: «Pana! «Juro - respondeu Fraulein -, estes gajos não têm o baralho todo!»
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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