Em casa do senhor Rubistein fora preparada uma festa para as crianças. No pequeno jardim interior bramia a placidez do sol. A mesa com o tema; a vitualha própria para os diabretes; e, sob a forma de um anho, que estendia a sombra sobre todas as cabeças de pequenos cristos, uma pinhata. «Meninos - principiou a senhora Rubistein numa voz melíflua -, agora vamos tentar quebrar a pinhata. A população de meninos urrou, mas havia quem se deslumbrasse sob aquele sol hialino. O senhor Rubistein sorriu. Neste somenos a porta de entrada é sacudida de forma evasiva. O senhor Rubistein acorreu imediatamente, deparando-se com dois oficiais. «Que significa isto? - perguntou o mais alto ao deparar-se com a situação. «Bem - respondeu o senhor Rubistein sem se perturbar -, eu convidei todos os meninos do bairro para uma festa. «Que espécie de festa - retorquiu o outro oficial. «Nada de especial, apenas uma festa para entreter os mais novos. Os oficiais irromperam pelo jardim; parecia que uma sombra havia assolado por momentos o jardim. As crianças buliram numa interrogação. «Passa-se alguma coisa - perguntou o senhor Rubistein. «Deduzo que sim - disse o oficial bramindo um olhar que atingiu o senhor Rubistein no âmago. «Deduz? - procurou perceber num receio. - Sabe, é apenas um jogo. «Também posso jogar? - retorquiu o mais baixo dos oficiais. «Sim, claro - reagiu o senhor Rubistein -, claro. «Eu tenho bastante curiosidade - disse o mais alto -, também posso assestar na pinhata? «Eheheh - sorriu o senhor Rubistein. Neste somenos, os dois oficiais principiaram num jogo divertido em redor da pinhata. Que solenidade, não se continham de tão ébrios no jogo. As crianças estalaram a rir; também elas estavam inebriadas devido ao fascínio da pinhata.
Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta-metragem. Foi deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. A conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular). «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório. Eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia sorriam – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos....
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