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Klinkerhoffen

O sol emergia a carruagem com a sua luz hialina e agreste. Por momentos um raio estalou de encontro as vidraças e as cores dos planos exteriores se descobriram de um verde temível. Ia a caminho do Porto. Estava apenas eu, tentando recriar uns desenhos no caderno, e uns passageiros aparentemente distantes e fechados sobre si, ora velhas septuagenárias com a cabeça tombada. A um canto, um tolo - algum velho alcoólico demente - recostava a cabeça junto à janela, e sorria num enleio medonho. Em Nine, constato que uns militares se preparam para tomar a carruagem nos seus modos devassos. Pouca sorte para o tolo, que no entanto mostrava um sorriso benevolente e sádico. «Quem és tu? - bradou avaro um dos compinchas. - És mesmo tolo! Olha faz a continência. «Ele não faz a continência, tem um parafuso a menos.» Entretanto, o mais velho simulou o coito directamente atrás do tolo, e ria provocadoramente para completa pândega dos compinchas. O velho sorria benevolente e desnastrado. «Faz a continência, maluco!» Então o tolo colocou a mão sobre a cabeça numa postura deveras comovente, mostrando um sorriso negro e mudo. «Hahahah! - sorriram os pândegos - És mesmo maluco, não há dúvida.» O mais velho todavia foi mais consentâneo: «Olha faz a continência comigo - fazendo um piparote com a bota. - Hahahah!» Mas o tolo disse qualquer coisa num rastulhar da voz: «Bate-me na cara - mostrando a face da cara onde batia com a palma da mão. - Bate-me na cara.»

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