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O Perú de Mefistófeles

O senhor Mação vinha pela vereda vicinal sob a sombra frugal dos plátanos quando viu a octagenária Libânia estugando muito o passo. Trazia um grande saco de juta pela mão. Apesar da desenvoltura da octagenária Libánia, o senhor Mação não pôde deixar de intervir: «Libânia - exclamou ao longe -, estás mais apressada que um carapau de corrida. Pareces uma bailarina a executar um entrechat. «É verdade, estou com pressa - respondeu. - Tenho um assunto a tratar com o merceeiro. «Qual assunto? «Este assunto - asseverou a velha indicando o saco pesado. Algo saracoteava no saco de juta da octagenária Libânia. «É um peru - atirou a velha -; um peru de mefistófeles! «Que se passa com o animal? «Sabes o quão adoro gatos, não sabes? Pois bem, o bicho atira-se à gataria de tal forma que o próprio andor cai de queixo; é um autêntico demónio. «Não tens onde prender o bicho? «Sim, é claro que tenho onde prender o bicho. A minha armação é toda executada em madeira boa; mas acontece que o peru repenica os arames cheio de uma raiva irreprimível; assim: «Shuck! Shuck! Shuck! «Puxa, ele consegue escapar? - pergunta um senhor Mação deslumbrado. «É como eu te digo: ele é o peru do mefistófeles. Depois amola os gatos. Lá em casa é uma gritaria. Olha! - espantou-se muito a velha octagenária neste somenos - Conseguiu fugir pelo saco!»


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