domingo, 25 de janeiro de 2026
A Vela
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Luta entre titãs
O leitor por ventura já assistiu a uma luta entre irmãos gémeos ciganos? Franscisco Late e eu vínhamos no 40 via Robert Smith quando decidimos sair na paragem Abade Loureira. Certamente que não será um refúgio de Sábado à tarde para dois jovens se divertir, mas Francisco Late ponderou retratar, dias antes, a atmosfera daquele mesmo bairro, onde a vida decorre benevolente. Saímos de chofre do autocarro juntamente com velhas septuagenárias sorridentes. Vínhamos debitando piadas - sorvendo o aroma intenso a flores fúnebres, quando nos deparamos com algo ao virar da esquina... O cigano tinha acabado de lutar com o irmão gémeo, outro mentecapto desordeiro da sua criação, e estava embriagado. Melindrada, o olhar dela parou. «Que Deus te perdoe!» – disse. A velha de luto negro descarnou da sua fragilidade. Ele ripostou, destemido: «És uma valente puta! - E sacudido dos lados por um velho pai extremoso, acrescentou ainda mais asqueroso: - Puta!» Fora um novo e implacável arremesso a que ela não olhou alheia. «Coço-me aqui em baixo para ti! - volveu. A velha de luto negro berrou com instinto animalesco, num troar das velhas pelejas entre titãs: «Puta! Minha puta!» O cão bradou na sua voz. Insinuaram-se ritos. A velha avó, um mono septuagenário envolto num sudário de luto, de onde se descortina apenas um cenho sulcado, está enxuta deitada na relva de uma casa terréa; solta uns sons monocórdios através das ventas penugentas. Um remoque hilariado e consentido. Um automóvel guisando com ramas de olhos que perscrutam. O volume do autorrádio que incendeia: as vozes crispadas dos homens em arruada. «Minha puta! - ecoa o titã de luto negro num tom irisado mas bestial. Unge-se as mãos num crescendo penoso. As crianças avultam ali com pasmaceira. O irmão gémeo, que até ali permaneceu fiel a um propósito obscuro, ameaçou escabroso contra o irmão: «Anda cá, cabrão! Anda, que eu rebento com as tuas costuras!» Após o brado, a família baixou as armas, temeu o recontro com irmãos. Eu e Francisco estacamos, sem nunca nos aproximar. A atmosfera, até aí saturado de bardas vorazes e cheiro intenso a urina, libertou-se com um movimento solene de emboscada e contenda. A desordem em todo o quadrante. Os irmãos digladiavam na relva num canastro corpo a corpo. A velha titã bradava em pleno pulmões, lançando hecatombes de histeria por ela abaixo: «Pára, cigano!» O velho pai mantinha a ordem com gesto de profunda humildade; «Pára, cigano, pára!» Intensificou-se a voragem da luta antiga, com arfados animalescos e crispados. «Pára, cigano – cumpria o velho pai, procurando em vão apartar os dois lutadores – Pára, Dionísio! Pára, Diamantino, meu filho!» O cão late com despique sobre os dois. Os gritos de vilania intensificam entre a população, sobretudo a velha titã de luto negro que se estira no chão em trégua. Os dois irmãos são separados, as bardas desalinhadas. Colocam-se afastados um do outro, por ventura receando-se sem valentia. O velho pai solicita a trégua: «Dionísio, caralho! Olha o teu irmão! Diamantino!… É então que a numerosa família sorri entre si, a atmosfera é propícia ao acolhimento dos irmãos. O pai aproxima-os. Leva a cabeça de um para beijar o irmão, heroicamente. E beijam; e abraçam-se.
Happy
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