Isso era o Mário Jorge no liceu, éramos nós uns miúdos do 9.º ano. «Vocês viram o Roberto Carlos a receber o queima roupa no peito?» Eu achei piada, até porque também tinha visto. O Mário Jorge era um must. Ele era só Jorge, mas colocava diante da professora o papel a identificar o Mário e o Jorge, do seu lado. Mário Jorge mais não era que uma personagem fictícia do Big Show Sic, que revelava ser gay. O que eu ria. «Tu agora vais ficar quietinho, Mário Jorge»
- Eu ou o Mário?
Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...
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