Ou como diria o Maneli quando lhe disse que haveria de voltar para a Joana, estava ele a passar o pano no balcão de serventia: «Isso é que era. Agora estás a falar de verdade» O Maneli era de mais. Eu bradava melífluo «Oh Maneli...» Uma altura, muito mais tarde, deixei 5 cêntimos de gorjeta no pires, abalando com a minha mãe como dois peixes numa novena. Nós muito rimos no interior do Polo quando ele ficou diante da moeda. Parecíamos duas galinhas. «Oh Manel, ficaste ofendido?»
- Eu logo vi que não era coisa boa
Braga, 5 de Maio de 2021 Embora tenha editado o poema, esta é a última edição guardada. Quero estar no meu quarto, (Porque eu adoro o meu quarto) E ter esta percepção genuína: Eu embrenhado na noite... Que trato! Apenas eu e a escuridão No meu quarto de ameias encerrado Sem janela nem modas apetrechado Movendo entre a mansidão. É um consolo que me assiste O estar aqui dentro sem haver lá fora Ser eu próprio, aqui e agora Onde a música religiosa atriste. Prelúdio para uma noite cerrada, Clarinete dentre o quarto hermético E musicalidade ao meu ouvido estético, A nada errante a sons prelada. Que seja esta religiosidade musical, Esta religiosidade latente aos meus ouvidos A primavera atonal dos meus sentidos E nem sempre estes versos avulsos capital. Recordar esta noite que me sustém... Carregada de breu, em tudo abaulada. Fora dos meus nervos, então desarranjada... Aconteceu-me a noite em Belém. E os guizos são outros, revelados. E faz crer que o quarto está a léguas Ainda que alta lassi...
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