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Menino

José estugou diante de Maria. Uma ansiedade estonteante compelia-o para encontrar abrigo. Uma ansiedade de doudo. Por instantes, vislumbrou um caminho desbravado além de uma moita, que metia para uma espécie de nicho. José atirou para ali desabrido. «Vem, Maria...» Disse ele debaixo do céu cristalino.
- E como achas que posso? - disse Maria. - Estás acometido.
O homem lá malhou entre a vegetação, vingando as ervas. «Desculpa - murmurou entre os dentes feéricos - eu ajudo.» Todavia, parecia-lhe impossível transpôr o baldio com a mulher de alçada, ali respigados. «Ajuda-me, Zeca! - disse Maria desesperançada.
- Ó meus filhos - disse uma voz à boca do nicho com uma tocha em riste. - Que é de vós?
Pelos vistos, surgiu um segundo indivíduo de mãos na anca. Neste somenos, surgiu um outro par de olhos pela luz do archote. Ora, tratava-se de um negro vindo das profundezas. Nada mais - conquanto o sorriso encantador, quiçá mais ostensivo e fogoso. Os três homem trouxeram portanto os dois jovens para o nicho. Maria estava endemoninhada, e sentiu dentro de si um acometimento. «José, está na hora! Está na hora!»
- Forca, menina - desatou Belchior diante do suplício. - Força!
José estava entregue aos bichos. Como se não bastasse, a luz do archote impregnava seu rosto aquilino de uma fealdade expressionista que assustaria o comum dos homens. Estava ali, assomava-lhe a víscera por estranhos e misteriosos meios «Jorre para aquele lado, menino» - disse Belchior.
- Força! Força!
Maria era tomada pela dor aterrorizante entre cada fôlego. 
- Menina, sem demoras. Força - disse Belchior fazendo uma cara rigorosamente feia em todo e qualquer retrato, todo ele verde para qualquer devaneio pictórico. Força! 
A dor assomava exponencial para Maria.
- Olha a cabeça do bebê - disse entrementes Belchior com um sorriso cândido nos olhos. Os outros dois, ocupados na faxina da água e do ministério da limpeza, sorriram. Belchior recebeu Jesus nos braços, pendurou o mancebo pelas pernas não fosse o gesto incauto, e enrolou-o numa toalha cuidadosamente preparada pelos dois amigos. O pranto deu lugar ao sorriso beatifico de Maria. «O meu filho. Filho de Deus»
- Eu também - disse Belchior.

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