PARTE I/III
A sorte de António e Pedro haveria de mudar. Talvez que eles pudessem pôr cobro a uma vida de obscurantismo, como que entregues a si mesmos, impregnados na vida da lavoura nos arrabaldes deprimidos da cidade onde nenhum homem regrado antes colocara lá os pés. O seu quotidiano a lavrar a terra com charrua, onde o crivo malhava entre os bichos mais improváveis e outros que se desembrulhavam diante dos seus olhos cansados, desde há muito que lhes ocupava o espírito sequioso de uma vida nova. Às tantas açudavam o boi à charrua raquítica pela manhã a eito, com os pés pejados pela maviosa substância da lama soçobrante das poças. Pelo entardecer encharcavam toda a vasta plantação de couve com o jacto misericordioso de água. Às tantas a sua dilecção pelos bólides dava azo para assistir aos grandes e veneráveis campeonatos de Rally. Ali estava um modelo de carroçaria guisando o mato. «Tu bates mal! - gritava António para o condutor na faxina da manobra, lançando-se na emboscada depois do carro derrapar pela brema. - Tu bates mal!...»
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